O Vale dos Vinhedos está situado na Serra Gaúcha e compreende os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. Das 24 empresas que formam a Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos - APROVALE, 18 produzem vinhos finos. Essas vinícolas produzem, em média, 10,5 milhões de quilos de uvas viníferas por ano. O Vale dos Vinhedos foi a primeira região vinícola brasileira com Indicação de Procedência (IP).
A Indicação de Procedência “Vale dos Vinhedos”
Em outubro de 2002 comemorou-se a oficialização pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) da primeira Indicação de Procedência (IP) para vinhos brasileiros. O pedido de reconhecimento geográfico, encaminhado ao INPI em 1997, foi aprovado em 2002, e finalmente, no inicio de 2007, reconhecido pela União Européia, para vinhos provenientes da região de 81 quilômetros quadrados situada entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, no Estado do Rio Grande do Sul.
Foi o Gran Duque Cosimo III, da mítica família Médici de Firenze, o responsável pelo ato que marcou a primeira delimitação geográfica de uma área vinícola. A região do Chianti, na Toscana - Itália, teve assim seus limites fixados em 1716. Uma outra região reivindica o título de primeira a ser demarcada. Os vinhedos húngaros de Tokaji teriam sido delimitados em 1700 ou em 1737, segundo diferentes fontes, o que gera polêmica. Foi, contudo, apenas em 1756 que, além de demarcada, uma região foi regulamentada. O Marquês de Pombal - ao criar a Companhia Geral de Agricultura do Alto Douro, além de delimitar as fronteiras do vinho do Porto, estabeleceu regras para sua produção. A França, o mais importante produtor mundial, viria a ter sua primeira classificação apenas em 1855. Estabelecida pelos produtores do Médoc, sub-região de Bordeaux, a famosa hierarquia dos Grand Crus Classés é até hoje referência de qualidade e, sobretudo, preço.
A Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos - APROVALE foi criada em 1995 por cinco vinícolas pioneiras (Casa Valduga, Cordelier, Dom Cândido, Dom Laurindo e Miolo) e hoje já conta com cerca de 35 vinícolas afiliadas ( http://www.valedosvinhedos.com.br/ ).
Para entender o significado desta “certificação” é preciso antes analisar o que é uma Indicação de Procedência. Quando se trata deste nobre fermentado, a origem e qualidade da matéria-prima (uvas) são fundamentais. O objetivo deste tipo de legislação é estabelecer uma série de normas que garantam o nível de qualidade e a tipicidade dos produtos, orientando os consumidores.
Os critérios normalmente dizem respeito à delimitação geográfica dos vinhedos, os tipos de uvas autorizadas, grau alcoólico mínimo, grau máximo de chaptalização (adição de açúcar ao suco das uvas para aumento do grau alcoólico), rendimento dos vinhedos (quantidade de uvas obtidas por hectare - quanto menos melhor), método de plantio, de elaboração, período mínimo de amadurecimento em madeira e de envelhecimento em garrafa, denominações e tipologias constantes dos rótulos e, finalmente, aprovação através de análise química e degustação por entidades reguladoras.
No que diz respeito a estes regulamentos, a IP “Vale dos Vinhedos” ou “IPVV” é ainda bastante modesta, exigindo, por exemplo, que apenas 85% das uvas venham da região delimitada. Além disso, o rendimento autorizado é alto (150 hectolitros por hectare) e bastam 60% de um tipo de uva para que esta venha identificada no rótulo, ou seja, 40% das uvas podem ser de um tipo que não aparece no rótulo. O critério mais sensível do regulamento é, contudo, o que permite que o método de plantio seja a “latada”, um tipo de caramanchão, que produz muito mais uvas, mas de qualidade inferior, pois estas ficam sob as sombras das folhas, sendo menos expostas ao sol. O ideal seria a “espaldeira”, método tradicional praticado na Europa, aonde a vinha é baixa e recebe bastante sol. O fato evidencia talvez o maior problema deste setor: cerca de 80% do nosso vinho fino provém de vinhedos em “latada”. A conversão de parreirais é, entretanto, cara (pode custar entre R$ 55 / R$ 65 mil por hectare), demorada (a vinha leva três anos para produzir a primeira safra) e, principalmente, esbarra na mudança de mentalidade de colonos que plantam assim por gerações.
Na prática, o verdadeiro controle de qualidade previsto pelo regulamento da IP é a aprovação final dos vinhos por meio de análises químicas e degustações às cegas. Estas são realizadas por uma banca composta por representantes da Aprovale, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), da Universidade de Caxias do Sul e da SBAV (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) seção de Caxias do Sul.
Muitos dos vinhos submetidos a avaliação não recebem a “certificação”, o que demonstra o rigor da prova.
Mesmo com estas deficiências esta IP é positiva? Sim, e muito! O que temos a comemorar não é a regulamentação em si, pois os melhores produtores da região já praticam padrões de qualidade até superiores aos exigidos, mas a congregação de antigos concorrentes, sob uma mesma bandeira, e a burocracia e inércia vencidas são o primeiro passo na direção de uma verdadeira denominação de origem controlada (DOC). Esta IP também facilita a exportação de nossos produtos. Ter um selo de procedência aprovado pela União Européia dá livre acesso de nossos produtos a todos aqueles países.
Este tipo de controle ajuda, mas a qualidade de um vinho se julga mesmo é na taça. Aí a evolução que o vinho brasileiro teve nos últimos anos é incontestável! Vale dos Vinhedos - Vinícolas de destaque
ADEGA CAVALLERI - Vinhos Finos
Tel. + (54) 3459-1001 www.cavalleri.com.br
Radicada no Vale dos Vinhedos desde 1875 a Família Cavalleri trouxe da Itália a herança européia na elaboração dos vinhos. Produz atualmente 200 mil litros de vinho. As castas estão distribuídas numa área de 30 hectares. Seu Espumante Moscatel (elaborado com a casta Moscato Giallo), é o melhor do país na categoria!
Tintos: Cavalleri Cabernet Sauvignon, Cavalleri Carménère, Cavalleri Merlot. Brancos: Cavalleri Chardonnay. Espumantes: Cavalleri Brut, Cavalleri Moscatel, Cavalleri Moscatel Rosé.
ANGHEBEN
Tel. + (54) 3459-1261 www.angheben.com.br
Na Itália, Angheben era um vilarejo na Provincia de Trento. No Brasil, é uma vinícola fundada em 1999. As uvas dos vinhos elaborados são provenientes da Serra Gaúcha e da Serra do Sudeste do Rio Grande do Sul. A safra de 2003 foi produzida a partir do vinhedo em espaldeira, localizado no município de Encruzilhada do Sul. Tintos: Terodelgo, Touriga Nacional, Barbera e Cabernet Sauvignon. Espumantes: Brut.
CASA VALDUGA
Tel. + (54) 3453-3122 www.casavalduga.com.br
A saga da família Valduga no Brasil começou em 1875, quando as primeiras videiras foram plantadas. Constituída em 1973, a Casa Valduga vem mantendo a tradição por quatro gerações. Os parreirais próprios da Vinícola no Vale dos Vinhedos e Encruzilhada do Sul produzem uvas de castas finas com mudas importadas e certificadas. A vinícola também oferece aos visitantes hospedagens e refeições em instalações dignas de um grande hotel. Os destaques são os espumantes elaborados pelo método Champenoise, como o excelente “Valduga 130 anos Brut Champenoise”. Tintos: Gran Reserva Cabernet Sauvignon, Premium Merlot, Naturelle, Arte Casa Valduga Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, Duetto Pinot Noir e Shiraz.
Rosés: Duetto Sangiovese e Barbera. Espumantes: Valduga 130 anos Brut Champenoise, Premium Moscatel, Premium Brut.
CAVE DE PEDRA
Tel. + (54) 3459-1263 www.cavedepedra.com.br
A vinícola elabora vinho em estilo artesanal, a produção é reduzida e o processo é realizado da maneira mais natural possível. A arquitetura da sede é similar a um castelo medieval. Foi fundada em 1997.
Tintos: Gran Reserva Ancelota/Tannat, Cabernet Sauvignon Reserva. Espumantes: Asti Moscatel Brut
CHANDON
Tel. + (54) 3462-2499 www.chandon.com.br
Amparada pela empresa francesa Maison Moêt & Chandon, a vinícola está a mais de 30 anos no Brasil. A produção é voltada para elaboração de espumantes com alto padrão de qualidade: Uvas com características excepcionais, instalações e equipamentos de alta tecnologia. Seu enólogo Phillipe Mével é o maior especialista do Brasil na elaboração de espumantes pelo método Charmat, e o Chandon Excellence Brut Reserve é um dos melhores vinhos brasileiros... Premiadíssimo aqui e lá fora!
Espumantes: Excellence Brut Reserve, Brut, Brut Rosé, Demi-Sec e Passion.
CORDELIER
Tel. + (54) 2102-2333 www.cordelier.com.br
A família Ziero elabora vinhos desde o século XVIII na Itália. Nos idos de 1886, Eugênio Ziero desembarcou no sul do Brasil com mudas de videiras da família. Quase um século depois, o representante da sexta geração da família, Lídio Ziero fundou a Vinícola Cordelier, em Bento Gonçalves. Em homenagem a religiosidade da família, batizou a adega de Cordelier - corda de nós que os religiosos da Ordem de São Francisco de Assis usavam. Em 1997, adquiriu a marca Granja União.
Tintos: Cordelier Reserva Merlot, Cordelier Reserva Cabernet Sauvignon, Cordelier Merlot, Granja União Cabernet Seco, Granja União Merlot, Granja União Seleção.
Brancos: Reserva Chardonnay, Granja União Seleção, Granja União Riesling, Granja União Malvasia Suave.
DOM CÂNDIDO
Tel. + (54) 3453-3620 www.domcandido.com.br
Cândido Valduga levou adiante a tradição da família e estabeleceu-se em 12 hectares para produzir vinhos artesanais. Entre piletas, tanques de aço inox e pipas de madeiras nobres, a Dom Cândido vinifica cerca de 45.000 caixas de vinhos.
Tintos: Gran Reserva Cabernet Sauvignon, Marselan, Reserva Merlot, Merlot/Cabernet Sauvignon, Reserva Tannat, Reserva Cabernet Sauvignon, Gamay. Espumantes: Brut, Demi-Sec e Moscatel.
DON LAURINDO
Tel. + (54) 3459-1600 www.donlaurindo.com.br
Em 1887, desembarcava em Bento Gonçalves o italiano Marcelino Brandelli. Vindo de Zévio, povoado de Verona, Marcelino começou produzindo vinho para consumo da família. Passou para seus filhos os ensinamentos da bebida de Baco e da terra. Em 1946, seu filho Cezar Brandelli expandiu os negócios e adquiriu terras para produção de uvas e vinhos, no que mais tarde, veio se concretizar com a fundação da Vinícola Don Laurindo. O seu “Reserva Tannat” é o maior expoente desta casta em terras brasileiras. Tintos: Reserva Malbec, Reserva Tannat.
GEORGES AUBERT
Tel. + (54) 2462-1155 www.georgesaubert.com.br
Com a 2a. Guerra Mundial, diversas vinícolas e vinhedos foram devastados na Europa. A solução encontrada por Georges Aubert foi transferir as operações da vinícola para o Brasil. Estabeleceu-se em Garibaldi em 1951 e especializou-se na produção de espumantes. Produz atualmente 1,8 milhões de litros por ano. Espumantes: Extra Brut, Brut, Reserva Prosecco e Moscatel.
LÍDIO CARRARO
Tel. + (54) 3459-1222 www.lidiocarraro.com
Esta pequena e jovem “vinícola boutique”, elabora ótimos tintos, elegantes e estilosos. Em 2002, elaborou seus primeiros vinhos. O destaque é o Merlot da linha Grande Vindima.
Tintos: Reserva da Serra Cabernet Sauvignon, Reserva da Serra Merlot, Reserva da Serra Merlot/Cabernet Sauvignon, Cabernet Sauvignon Grande Vindima, Merlot Grande Vindima, Quorum Grande Vindima, Singular Tempranillo, Elos Cabernet Sauvignon/Malbec.
Espumantes: Reserva da Serra Brut, Reserva da Serra Moscatel.
MARCO LUIGI
Tel. + (54) 3453-2695 www.marcoluigi.com.br
Produção em torno de 80 mil litros, de uvas cultivadas pela família. Os destaques são os espumantes elaborados pelo método Champenoise.
Tintos: Varietal Cabernet Sauvignon, Conceito Tempranillo, Conceito Merlot, Tributo Cabernet Sauvignon, Merlot. Brancos: Chardonnay. Espumantes: Brut, Brut Reserva da Família e Moscatel.
MIOLO WINE GROUP
Tel. + (54) 2102-1500 www.miolo.com.br
Uma das maiores e mais dinâmica empresas brasileiras do setor. A muda de videira que Giusepe Miolo plantou em 1897, no lote 43, em Bento Gonçalves, prosperou. Hoje a Miolo desponta na produção de vinhos no Brasil: do Vale do São Francisco, no nordeste à Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. Até 2012 a empresa pretende ter 1000 hectares de vinhedos e produção de 12 milhões de litros de vinhos finos por ano. Desde 2003, conta com a consultoria do mais famoso enólogo do mundo - Michel Rolland. Desde há poucos anos atrás firmou uma parceria com a OSBORNE, famosa vinícola da região de Rioja - Espanha.
Tintos: Lote 43, RAR, Reserva Cabernet Sauvignon, Reserva Merlot, Reserva Pinot Noir, Merlot Terroir, Seleção Tinto, Cuvée Giuseppe.
Brancos: Reserva Chardonnay, Seleção Branco.
Espumantes: Brut Millésime, Brut Méthode Traditonelle, Brut Rosé.
Especiais: Seleção Rosé e Gamay.
PETERLONGO
Tel. + (54) 3462-1355 www.peterlongo.com.br
Fundada em 1915, a vinícola é pioneira na elaboração de espumantes no Brasil. O seu “Champagne” Peterlongo era usado em solenidades oficiais e batismos de navios e aviões. No ano 2002 a empresa passou para uma nova fase, tendo como novo proprietário o grupo Holding Ouropar. Tintos: Dom Armando, Varietal Peterlongo Cabernet Sauvignon, Casa Peterlongo Cabernet Sauvignon/Merlot e Tannat. Brancos: Casa Peterlongo Riesling Itálico e Semillon. Espumantes: Moscatel, Prosecco, Brut Champenoise, Fino Demi-Sec, Fino Brut.
PIZZATO
Tel. + (54) 3459-1155 www.pizzatovinhasvinhos.com.br
Criada em 1998, a vinícola Pizzato se dedica à elaboração de vinhos tintos finos. A vinícola destacou-se no cenário nacional com seu varietal Merlot Reserva, um dos melhores vinhos brasileiros desta casta. Seus vinhos destacam-se por boa relação custo/benefício. Tintos: Cabernet Sauvignon Reserva, Fausto Merlot, Fasuto Cabernet Sauvignon, Tannat Reserva, Merlot Reserva, Concentus, Egiodola. Brancos: Chardonnay. Espumantes: Brut.
SALTON
Tel. + (54) 2105-1000 www.salton.com.br
Uma das maiores e mais antiga vinícolas brasileiras, fundada em 1910. Hoje a Salton possui dois vinhedos modelos: Tuiuty e Santa Lúcia, com 70 hectares no total. Em 1948 expandiu as fronteiras do Rio Grande do Sul e tem uma filial em São Paulo. Lá é produzido o Conhaque Presidente. Conta com a consultoria do enólogo argentino Angel Mendoza. O Desejo Merlot e o Talento são dois dos melhores vinhos brasileiros. Tintos: Desejo Merlot, Talento, Reserva Especial Classic/Cabernet Sauvignon, Reserva Especial Classic/Merlot, Reserva Especial Classic/Tannat, Volpi Merlot, Volpi Cabernet Sauvignon.
Brancos: Volpi Chardonnay, Volpi Sauvignon Blanc, Reserva Especial Classic/Chardonnay, Reserva Especial Classic/Riesling.
Espumantes: Brut Charmat, Brut Reserva Ouro Charmat, Demi-Sec Charmat, Moscatel Charmat, Prosecco Brut Charmat, Volpi Natural Brut, Rosé Natural Brut Poética.
VALLONTANO
Tel. + (54) 3452-6595 www.vallontano.com.br
A tradição remanescente do século XIX está na produção de aproximadamente 50 mil garrafas de vinhos finos e espumantes ao ano. A matéria-prima vem dos 07 hectares de vinhedos próprios, onde são cultivadas as uvas Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, entre outras variedades de castas nobres. Val Lontano, vem do italiano e quer dizer Vale Distante. O destaque é o Espumante Brut.
Tintos: Reserva Cabernet Sauvignon, Tannat. Brancos: Chardonnay. Espumantes: Brut Moscatel.
Lembro que as vinícolas aqui citadas são apenas aquelas sediadas dentro da área do Vale dos Vinhedos. Não foram mencionadas as demais localizadas fora do Vale - ainda que na região da Serra Gaúcha - a exemplo de Flores da Cunha, Nova Pádua, Pinto Bandeira, Cotiporã, Caxias do Sul, Campanha, Serras do Sudeste etc.
Finalmente, vale observar que o Rio Grande do Sul é o Estado líder na produção de vinhos no Brasil. As 450 vinícolas da região são responsáveis por 75% dos rótulos brasileiros. Cerca de 60% das castas européias colhidas são brancas, e a produção de uva é superior a 400 milhões de quilos/ano.
Bons goles!
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