Sunday, November 16, 2008

Outono Europeu’2008 - Viagem à Itália e França!

Em outubro passado, na companhia da minha mulher e um casal de amigos queridos, estive visitando a Inglaterra (Londres), a Holanda (Amsterdam e arredores), a Itália (Lombardia, Toscana e Ligúria) e França (Côte D’Azur, Provence, Côtes-du-Rhône, Bourgogne e Paris)... Detalhei o roteiro para que todos saibam do meu amor pelo vinho e suas regiões produtoras, já que ‘conhecer vinhos’ não é apenas saber definir rótulos, procedência e preços, como muitos ‘entendidos’ pensam e propagam!
Londres e Amsterdam foram incluídas no roteiro por duas razões: A primeira, para visitar um sobrinho que vive lá e ‘matar a saudade’ do lugar, pois também vivi em Londres durante três maravilhosos anos quando ainda jovem, estudando no Chelsea College (University of London), embora sempre tenha ido lá quando estou na Europa. A segunda, a pedido dos amigos que nos acompanharam - que queriam conhecer a capital do reino holandês e visitar alguns lugarejos do interior (onde pudessem ver de perto moinhos de vento, visitar fazendas de produtores de queijos etc.).
De Amsterdam voamos direto para Milão (Itália, região da Lombardia), a partir de onde passamos a fazer o roteiro com uma VAN Renault. Ainda em Milão, fomos a COMO e BELLAGIO, fazendo um passeio de barco pelo Lago de Como durante um dia todo, deliciando-nos com as paisagens pitorescas à beira do famoso lago e degustando vinhos do mais respeitado produtor da região: Cà del Bosco/Franciacorta.
Partindo de Milão, fomos direto para Bologna (onde está a mais antiga Universidade Italiana, construída no século 11), passando por Parma (dos festejados queijos e embutidos) e Modena (dos vinagres Balsâmicos). De lá direto para Firenze (das artes, banhada pelo rio Arno). A próxima parada foi Siena (a segunda cidade mais importante da Toscana - e foi a principal entre os séculos 13 e 16, quando a peste a atingiu e Firenze ganhou poderio). Palco do Palio, maior festa da Toscana e uma das mais tradicionais de toda a Itália, Siena é tradicional e extremamente bem preservada - parece que quase nada mudou, pelo menos nas fachadas, nos últimos 800 anos! Cercada pelo Vale de Chianti, onde é produzido o famosíssimo vinho e também excelentes azeites, Siena é um ótimo centro gastronômico.
Entre as duas maiores cidades da região da Toscana, levei meus amigos para conhecer pequenas pérolas: Monteriggioni - minúscula, parece um cenário de filme. San Gimignano - cidade também pra lá de especial, construída sobre um monte, conta com uma série de torres construídas entre os séculos 11 e 13, verdadeiros arranha-céus da Idade Média. Aqui se produz um outro tipo de vinho típico da região, o Vernaccia di San Gimignano. Em seguida, ao sul de Siena, fomos a Montalcino, terra do famosíssimo vinho Brunello di Montalcino, onde saboreamos um ‘BIONDI SANTI’ e um ‘VAL DI SUGA - ANGELINI’ na ‘fonte’, este elaborado por TENIMENTI ANGELINI - tão especial quanto o primeiro, mas ainda pouco conhecido no Brasil - do qual trouxe uma garrafa da sua ótima safra de 1999, além de outros lá degustados.
Saindo da região da Toscana entramos na Ligúria e fomos direto à Savona, já quase na Riviera Italiana, e de lá até o Principado de Mônaco e depois Nice, na Côte D’Azur (França), de onde também fui mostrar outros lugares que encantaram nossos amigos acompanhantes: Cap d’Antibes, Saint Raphael, Fréjus, Cannes (que é o epicentro do glamour!) e a medieval Saint Paul de Vence - que conquista os turistas com seus castelos, artistas, museus, bons perfumes e restaurantes. (Para quem não sabe que ela existe, seria apenas mais uma muralha medieval se não escondesse uma das mais charmosas ‘villages’ da região! Ladeiras e vielas parecem se multiplicar nos caminhos de Saint-Paul-de-Vence, que fica a 18 km de Nice e 26 de Cannes). Bom lembrar que, enquanto na Côte D’Azur, em nossos jantares só degustamos vinhos produzidos na região da Provence (rosés do Château de Vanniéres) e Bandol (os famosos Banyuls, de Michel Chapoutier).
Deixando a Côte D’Azur, entramos na região da Provence e da Côtes-du-Rhône, seguindo até Avignon, cidade medieval e palco de grande parte da história da França. É a cidade natal do pintor Paul Cézanne, e onde também está o Palácio dos Papas, que serviu de residência dos papas fugidos da guerra civil que atingia Roma, no século 14. O prédio tem 50 mil metros quadrados de área, praticamente pelado em razão de um grande incêndio no ano de 1.413. É também nos arredores de Avignon que se produz o célebre vinho Châteauneuf-du-Pape, elaborado com até 13 tipos de uvas diferentes, mas com predominância da grenache, casta nobre da região. Um dos seus melhores produtores é o Château de La Gardine (quem quiser experimentá-lo aí em Manaus, minha amiga Janete Fernandes tem ele na Adega do seu Palazzolo).
A partir de Avignon entramos na Bourgogne, passando por Beaune (a capital do vinho) e Dijon (a capital da região, da mostarda e do cassis), seguindo direto para Villefranche-Sur-Saône (capital do ‘Pays Beaujolais’ - Sul da Bourgogne). Aqui, para deleite dos nossos acompanhantes, fomos recepcionados pelos meus queridos amigos franceses Yvianne e Pierre Defay com um farto e delicioso ‘déjeuner’ (almoço) em sua residência - Château de Chénevert - localizada no meio dos vinhedos de Gleizé e ao redor dos ‘villages’ produtores do vinho mais consumido na França - Beaujolais! Eles ainda foram nossos cicerones em visita a vários vilarejos na região e nos despedimos jantando num renomado e histórico restaurante familiar de outros amigos da região.
Deixando Villefranche-Sur-Saône (cidade localizada 34 km ao norte de Lyon), fomos direto à Paris, onde permanecemos uma semana, encerrando nossas férias do Outono Europeu’2008 e retornando ao Brasil... Foi ótimo, pois a Europa continua linda e maravilhosa!
Nota: Quem estiver interessado em ver alguns dos lugares visitados, é só pedir fotos por e-mail... Foi tudo devidamente registrado!
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Qual a melhor procedência dos bons vinhos?

Dia desses alguém me perguntou quais seriam as melhores procedências para se escolher um bom vinho, se Bordeaux, Bourgogne ou Novo Mundo... É mais ou menos como perguntar o que é melhor - morango, banana ou abacaxi; amarelo, azul, ou vermelho; loira ou morena; verão ou inverno etc.
Em se tratando de vinhos, tanto a região de Bordeaux, quanto a Bourgogne e o Novo Mundo - e também inúmeras regiões de Portugal, Espanha, Itália e da própria França e outros países - produzem ótimos vinhos desde há muito tempo. De fato, escolher entre Bordeaux, Bourgogne e Novo Mundo (Austrália, Chile, Argentina, Brasil) é totalmente uma questão de gosto e preferência pessoal, além de ocasião e harmonização com a comida, obviamente!
Os grandes vinhos de Bordeaux são elegantes, aristocráticos e ‘classudos’, mas bem mais encorpados e potentes do que os tintos da Bourgogne, que são mais marcados pela delicadeza, finesse e complexidade de aromas.
Ao mesmo tempo, falar em vinhos do Novo Mundo é muito genérico. Existem muitos estilos diferentes de vinhos no Novo Mundo, alguns dos quais inclusive se aproximam dos Bordeaux (mas quase nenhum dos Bourgognes, que são um tanto “únicos”). Normalmente, o que se entende pelo “típico estilo Novo Mundo” são vinhos encorpados e concentrados, exuberantes, cheios de fruta e com envelhecimento em carvalho, em um estilo expansivo e intenso, com menos acidez e mais doçura do que os vinhos tradicionais europeus. Enfim, é sempre uma questão de gosto pessoal, ocasião e acompanhamento, pois são estilos diferentes. No entanto, um dos grandes charmes do mundo do vinho é justamente esta enorme variedade de estilos, procedência e tipos de vinho. É claro que, dentro de certo estilo, e mesmo entre estilos, há diferentes níveis de qualidade. Mas entre regiões tão consagradas, é difícil afirmar categoricamente que uma determinada região produz vinhos melhores do que a outra. Podemos comparar vinhos específicos e dizer qual o preferido para uma determinada ocasião ou segundo nosso gosto pessoal... Mas daí a dizer que Bourgogne é melhor que Bordeaux, ou vice-versa, ou que o Novo Mundo é melhor ou pior que ambos, é fazer uma perigosa e difícil generalização. Por sorte existem tantos estilos e procedências para apreciarmos, sem ser preciso definir qual é o melhor. Todos podem ser muito bons, dependendo do produtor e do vinho...
Em minha recente viagem à Europa, por exemplo, onde estive visitando regiões vinícolas na Itália e na França durante o mês de outubro’2008, descobri em Montalcino (na Toscana, ao sul de Siena), vários “Brunelo de Montalcino” de outros produtores tão bons quanto o mais famoso (e caro!) deles - Biondi Santi.
Um desses bons exemplos é o Brunelo de Montalcino “VAL DI SUGA - ANGELINI”, elaborado por TENIMENTI ANGELINI S.p.A., do qual trouxe uma garrafa da sua ótima safra de 1999, além de outros lá degustados. Do mesmo modo ocorreu no sul da Bourgogne, em torno da cidade de Macôn, onde são produzidos os famosos brancos “maconnais”, dos quais também degustei vinhos maravilhosos de produtores pouco conhecidos entre nós.
(Nota: O “Val di Suga - Angelini” que eu trouxe de Montalcino, foi degustado com meu amigo Ronaldo Grapíglia (GG do Novotel Manaus), no “Caverna Bugre”, restaurante dos amigos Miguel e Eduardo Politshuk - devidamente harmonizado com o delicioso e famoso “Filé Alpino”, o prato carro-chefe da casa - existente desde 1950 no mesmo endereço paulistano).
Enfim, como citado anteriormente, por sorte existem tantos estilos e procedências para apreciarmos, sem ser preciso definir qual é o melhor. Todos podem ser muito bons, dependendo do produtor e do vinho...
Por isso é que precisamos aprender a apreciar vinhos e não rótulos, deixando de lado o preconceito de que apenas os excessivamente caros são os melhores!
Bons goles!
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Thursday, May 15, 2008

As cepas vitiviníferas gregas têm nomes e sabores diferentes de tudo que se conhece!

Os críticos internacionais garantem que os principais produtores gregos são capazes de fazer vinhos de alta classe com cepas de origem francesa, sejam elas tintas (Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah) ou brancas (Chardonnay, Viognier, Sauvignon Blanc). Mas o grande diferencial da vitivinicultura na Grécia são suas uvas autóctones, algumas cultivadas desde a Antiguidade. Estima-se que o número de variedades locais chegue a 300, talvez até 500. São nomes pouco conhecidos fora da Grécia, como as brancas Asyrtiko, Moschofilero, Roditis e Malagousia, e as tintas Agiorghitiko, Xinomavro, Mandelaria e Mavrodaphne. Na passagem do grego para o alfabeto ocidental, a grafia das cepas pode apresentar variações um pouco maiores do que a dualidade Syrah/Shiraz. Dependendo da fonte consultada, a tinta Agiorghitiko, por exemplo, pode ser escrita Aghiorghitiko ou Agiorgitiko, entre outras variações. É bom o consumidor ir se acostumando com essas particularidades. Abaixo um breve perfil das principais uvas gregas: Asyrtiko - Apontada como a grande uva branca grega, talvez a melhor de todas as cepas autóctones, alguns especialistas costumam compará-la à francesa Chenin Blanc, do Vale do Loire. As melhores versões dos vinhos secos feitos com essa variedade, bastante resistente a doenças e de boa adaptação a diversos climas, podem lembrar os longevos vinhos da denominação francesa de Savennières, no Vale do Loire. Originária ou introduzida há cerca de 400 anos na vulcânica ilha de Santorini, no mar Egeu, sul da Grécia, a Asyrtiko espalhou-se por outras partes do país, sobretudo o norte. Uma de suas principais características é ser capaz de amadurecer mesmo em climas quentes sem perder a acidez. Dá vinhos perfumados, austeros, com toques cítricos, minerais e defumados. Pode passar ou não pelo carvalho durante seu processo de elaboração. No entanto, não é fácil de ser vinificada e, nas mãos de um produtor pouco habilidoso, pode oxidar. Alguns produtores misturam-na com outra cepa grega branca, a Malagousia, que foi salva da extinção graças ao trabalho de resgate feito por Evanghelos Gerovassiliou, da vinícola Gerovassiliou. A Asyrtiko pode ser usada também para fazer um vinho doce, um “Vin Santo” grego, no qual as uvas são desidratadas ao Sol e geralmente misturadas com um pouco das brancas Aidani e Athiri. Moschofilero - Originária da parte central do Peloponneso, sul da Grécia, uma zona fresca situada à cerca de 650 metros acima do nível do mar, é uma cepa branca aromática de boa acidez que pode produzir vinhos dos mais diversos estilos: leves, secos e frutados; rosés secos ou meio-secos com perfume de rosas; ou até espumantes. Na verdade, não se trata realmente de uma uva branca, mas sim de uma blanc de gris, ou seja, uma variedade que tem a casca entre o rosa e o cinza.
------------- Uva Asyrtiko ----------------- Mythiko White - 100% Athiri
Emery Red - 100% Amorgiano
A denominação de origem Mantinia, no Peloponneso, é tida como uma das principais fontes de bons rótulos dessa uva. Seus vinhos não costumam ter teor alcoólico dos mais altos, raramente chegam a 12°GL. Como a italiana Vespaiolo, o nome Moschofilero deriva da presença de muitos insetos em torno da uva quando esta se encontra madura.Agiorghitiko - Disputa com a Xinomavro o título de melhor tinta local. Os enófilos da região também a chamam de St George. Tem taninos macios, boa fruta e dá vinhos de cor escura dos mais variados estilos: desde os leves e descompromissados (inclusive rosés) até os mais estruturados e capazes de encarar um carvalho e envelhecer por anos. Por suas características, sobretudo a elegância, costuma ser comparada a Merlot. Os tintos da região de Neméia, no Peloponneso, uma das maiores denominações gregas, são feitos com a Agiorghitiko. Xinomavro - Encontrada na parte central da Macedônia, norte da Grécia, sobretudo nas localidades de Naoussa, Goumenissa e Amyndeo, é uma cepa de difícil cultivo, caprichosa, que dá bons vinhos apenas em certas regiões e em anos quando seu amadurecimento se dá por completo na videira. Seu nome quer dizer “preto ácido”, uma referência à bebida austera de cor escura, grande acidez e taninos por vezes adstringentes que a variedade produz. Segundo os especialistas, os melhores vinhos dessa uva podem envelhecer por anos. Há quem compare a Xinomavro à italiana Nebbiolo, a uva da qual se elabora o famoso Barolo, ou à portuguesa Baga, da região da Bairrada, também responsável por grandes e belos vinhos. A cepa é usada mais para a produção de ‘varietais’, embora às vezes surja também em ‘blends’ com outras uvas. (Fotos: Uva Assyrtiko - Talvez a principal cepa grega, e Rótulos da Enotéca Emery, de Rhodes).
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Saturday, March 08, 2008

A uva branca Torrontés!

Dia desses fiz uma matéria sobre vinhos brancos, publicada neste meu website e no Portal www.amazonview.com.br (da revista “AmazonView”), no qual tenho uma página denominada “Mundo dos Vinhos”, onde escrevo sobre a bebida no começo de cada quinzena. Na aludida matéria, intitulada “O vinho branco de todas as estações do ano!”, procurei incentivar aqueles que ainda relutam em apreciar adequadamente esse tipo de vinho, os quais, a exemplo dos bons Espumantes, são ideais para o clima da nossa região e para o restante do território brasileiro durante o verão. Tem muita gente que ainda acha que apenas os tintos são vinhos realmente ideais para se beber. Ledo engano... Quem não aprecia vinhos brancos não conhece nada sobre essa medieval e saudável bebida!
Na referida matéria, voltada mais para os bons vinhos brancos alemães, citei também aqueles produzidos na Serra Gaúcha (Vale dos Vinhedos), principalmente os nossos excelentes Espumantes. Um dos leitores dessa minha página, aproveitando a dica, pediu que eu falasse sobre a uva Torrontés, ainda bastante desconhecida entre nós, mas que produz vinhos brancos charmosos, frutados e florais em terras argentinas.
Pois bem, vamos falar e conhecer um pouco dessa casta que, ao contrário do que muitos afirmam, não é originária da Galícia (Espanha), mas sim resultado do cruzamento da casta “Criolla Chica” com a “Moscatel de Alejandria”, sendo, portanto, uma uva autóctone, ou seja, originária da Argentina.
O adjetivo "terrantês", em desuso no português atual, significa "originário de certa terra ou povoado". Por exemplo: Queijo terrantês, vinho terrantês, jarro terrantês... Na Península Ibérica essa palavra denomina também uma variedade de uva branca, tendo sido adotadas diversas grafias para seu nome, conforme o dialeto local. Na Galícia, por exemplo, essa casta tem presença em Ribeiro de Avia, onde ela é a Tarrantés.
Denomina-se Terrantês no Condado de Salvaterra e tem o nome reconhecido internacionalmente de Torrantés em Montealegre.
Portugal adotou a grafia Terrantez e com esse nome ela aparece no nordeste do país (em Trás-os-Montes), na Região Central (no Ribatejo) e no arquipélago dos Açores, particularmente na Ilha da Graciosa, onde origina um dos vinhos brancos da Cooperativa de Santa Cruz. Consta que, no passado, ela tenha sido cultivada na Ilha da Madeira. Trata-se de uma uva branca transparente, de bagos pequenos com casca fina e delicada. Dela se elabora um vinho seco, claro, muito aromático, frutado, com graduação alcoólica entre 11 e 12,5 graus e que se pode conservar por algum tempo.
O renome atual da Torrontés vem de sua surpreendente aclimatação nas províncias argentinas de Salta (Valle Cafayate) e La Rioja, (Valle de Chilecito) em altitudes acima de 1000 metros, aonde chegou trazida da Espanha, embora restando provado que se trata de uma uva originaria da própria Argentina, consoante recente pesquisa de DNA desenvolvida pela University of Califórnia-Davis, que definiu a sua origem exata.
A Torrontés é a variedade de uva branca mais distintiva da Argentina. Produz um vinho branco frutado e elegante, com refrescante acidez. Um grande atrativo para os jovens apreciadores de vinho branco, justamente pelo seu caráter frutado e floral.
O vinho da Torrontés é hoje considerado o mais típico entre os brancos argentinos. Que o digam a Bodega La Rosa, de Michel Torino, a Bodega Etchart, de Arnaldo Etchart e Pernod Ricard, e a Bodega Família Zuccardi, onde essa casta é também usada no vinho branco doce “Santa Júlia Torrontés Tardio”.
Eu, particularmente, gosto muito dos vinhos elaborados com essa casta, principalmente o “Torrontés Etchart Privado“, da Bodega Etchart e o “Colomé Estate Torrontés”, da Bodega Finca Colomé... São ótimos e de preços bem acessíveis!... Bons goles!

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Monday, February 18, 2008

Bourgogne, lugar de vinhos maravilhosos, elegantes, complexos e únicos!
Não sem razão, é a região onde mais gosto de estar quando vou a França, a última delas durante um bom período em 2007.
Com sua personalidade diferente e cheia de classe, os Bourgognes podem ser considerados uma espécie de “pós-graduação” para os apreciadores de grandes vinhos. Seus tintos e brancos são cheios de sutilezas e nuances inimitáveis! O sistema de denominações é realmente bastante complexo, em virtude do terroir privilegiado, e pode ser difícil se encontrar entre tantos nomes diferentes. Desculpem-me os leigos, mas descobrir os vinhos da Bourgogne é uma das melhores e mais gratificantes aventuras possíveis a um apreciador de bons vinhos, mas tome cuidado! Uma vez que você se apaixone pela Bourgogne, não há mais volta... E como as recompensas são muitas, não é nada difícil se apaixonar!
O que se pode esperar de um Bourgogne?
A marca registrada dos melhores Bourgognes tintos é sua incomparável classe, elegância e complexidade. São vinhos de conhecedores, cheios de sutilezas e sempre com grande finesse. Eles são elaborados com a casta Pinot Noir e expressam maravilhosamente o privilegiado terroir da Bourgogne - região onde vinhos de vinhedos a poucos metros de distância podem ter personalidades muito diferentes. Em geral, os bons Bourgognes apresentam riqueza e complexidade impressionante no aroma, que evolui bastante com o tempo. Na boca, são finos, macios e elegantes, bem proporcionados, mais delicados do que os tintos de Bordeaux ou do Novo Mundo. São vinhos únicos e insubstituíveis, sem paralelos ao redor do mundo, e que realmente vale a pena conhecer. Ao degustar um Bourgogne, busque mais por elegância, sutileza e complexidade do que por potência e concentração.
Os Bourgognes brancos, por sua vez, são simplesmente fantásticos. Para muitos, são os melhores do mundo. A uva Chardonnay atinge na região seu ponto máximo em elegância, complexidade e longevidade. Mesmo os Bourgognes mais simples, tanto tintos quanto brancos, podem ser muito charmosos e interessantes, de bastante personalidade.
Sistema de denominações da Bourgogne - O conceito do "Terroir"!
Na Bourgogne, o sistema de denominações é amplamente baseado no conceito de “terroir”. Elas se dividem em denominações Regionais, Distritais, Comunais, Premiers Crus e Grands Crus. As Regionais se referem a vinhos de uvas produzidas em todo o território da Bourgogne, a exemplo dos Bourgogne rouge e Bourgogne blanc, que trazem apenas o termo “Bourgogne” no rótulo. As Distritais se referem a vinhos de subdistritos definidos, como Chablis, Côte de Beaune, Mâcon etc. Em geral, eles levam no rótulo o nome do subdistrito em questão.
As Comunais se referem a vinhos de comunas ou vilas específicas, como Gevrey-Chambertin, Morey-Saint-Denis, Meursault, Vosne-Romanée etc. Eles levam no rótulo o nome da comuna em que são produzidos. Muitas vezes o vinhedo é mencionado no rótulo. As denominações Premiers Crus se referem a alguns locais - ou “climats”, como os franceses às vezes os chamam - que, por sua grande qualidade, foram classificados como “Premiers Crus”. Neste caso, o nome do vinhedo também aparece no rótulo, juntamente com o nome da comuna e do termo “Premier Cru”. É o caso, por exemplo, do “Nuits Saint Georges Clos de la Marechale Premier Cru”. As denominações Grands Crus são reservadas a alguns vinhedos excepcionais, de grande reputação. É a mais alta categoria no sistema de classificação da Bourgogne. No rótulo, levam o nome do vinhedo e o termo “Grand Cru”. Alguns exemplos: Clos de Vougeot, Mazis Chambertin, Charmes Chambertin, Corton Charlemagne etc. Quanto mais se sobe neste sistema de classificação, mais o local definido no rótulo vai ficando específico e - espera-se - maior é a qualidade dos vinhos. É óbvio que, mesmo dentre as diversas denominações, existem produtores muito melhores que outros. Na Bourgogne isto é especialmente importante.
As regiões da Bourgogne
CHABLIS
Os vinhos de Chablis estão entre os melhores e mais famosos brancos do mundo! Como todos os bons Bourgogne brancos, eles são elaborados com a uva Chardonnay. No entanto, trata-se de vinhos únicos, de grande personalidade, que não encontram paralelo em nenhuma outra região do mundo, nem mesmo nas outras áreas da própria Bourgogne. Isto se explica pelo clima bastante frio e pelo terroir da região, que lhe conferem um toque bastante austero e mineral, com uma acidez marcante, em contraponto à riqueza e untuosidade dos grandes brancos da Côte d’Or, mais ao sul. Chablis é o vinhedo mais setentrional da Bourgogne. Enquanto os Chablis de apelações comunais (aqueles que só trazem o nome Chablis no rótulo, sem mencionar o vinhedo) já podem ser muito bons, se forem de bons produtores, os Premiers Crus e Grands Crus estão entre os melhores brancos da França. São vinhos de grande longevidade, que às vezes levam 10 anos ou 15 anos para atingir seu apogeu. Alguns dos melhores Grands Crus vêm dos vinhedos de Vaudésir e Le Clos, enquanto muitos Premiers Crus também são excelentes (experimente o Chablis Montmains Premier Cru, do Joseph Drouhin, por exemplo!). Os Chablis mais simples de bons produtores podem ser ótimos. O Chablis normal do Drouhin já é uma delícia, uma combinação perfeita para ostras, mariscos e frutos do mar!
CÔTE D’OR
A Côte d’Or é o coração da Bourgogne, de onde saem a maioria dos mais reputados e melhores vinhos da região. Ela está dividida em Côtes de Nuits - mais ao norte, ao redor da cidade de Nuits-St-Georges (ao sul de Dijon) - e Côtes de Beaune - mais a sul, ao redor da cidade de Beaune. Uma das mais prestigiosas regiões de vinhos do mundo, a Côte d’Or produz vinhos tintos e brancos maravilhosos, entre os melhores que existem, e cada um com sua personalidade própria. Explorar toda a riqueza e complexidade deste verdadeiro “mosaico bourguignon” talvez seja uma das maiores e mais deliciosas aventuras para o apreciador de vinhos!
CÔTE DE NUITS
De maneira geral, as Côtes de Nuits são mais reputadas por seus grandes tintos, incluindo diversos famosos Premier Cru e Grand Cru. Entre as denominações mais reputadas estão a própria Nuits-St-Georges, Vosne-Romanée, Chambolle-Musigny, Vougeot, Morey-St-Denis e Gevrey-Chambertin, além de Grands Crus como Clos de Vougeot, Musigny, Chambertin, Échezeaux e muitos outros de grande prestigio. As principais comunas são: Fixin, Gevrey-Chambertin, Morey-St-Denis, Chambolle-Musigny, Vougeot, Vosne-Romanée e Nuits-St-Georges. Com a exceção de Corton, que fica na Côte de Beaune, todos os Grand Crus tintos estão na Côte de Nuits.
CÔTE DE BEAUNE
As Côtes de Beaune, po sua vez, são reputadas por seus grandes brancos, como os famosos Puligny-Montrachet, Meursault, Chassagne-Montrachet, Aloxe Corton, assim como os Grands Crus de Montrachet, os Corton Charlemagne e outros. Todos os Grand Crus brancos da Bourgogne, com exceção do Musigny, estão na Côte de Beaune. Também há vinhos tintos excelentes na Côtes de Beaune, como os Pommard, Volnay, Aloxe-Corton, e especialmente o fabuloso Grand Cru Corton - em geral mais delicados do que os da Côte de Nuits, e sempre muito perfumados e elegantes.
CÔTE CHALONNAISE
A Côte Chalonnaise produz alguns vinhos muito saborosos, mais acessíveis do que os grandes vinhos da Côte d’Or, mas que podem ser verdadeiros achados. É o caso dos Mercurey, a mais reputada denominação desta sub-região, com seus tintos ricos e saborosos, com toda a personalidade da Pinot Noir, a exemplo do Mercurey Croix Jacquelet. Outras denominações de importância são Rully, Givry e Montagny. A Côte Chalonnaise está ao sul da Côte d’Or e a norte do Mâconnais.
MÂCONNAIS
Ao sul da Côte Chalonnaise e a norte de Beaujolais está a região do Mâconnais, que circunda a cidade de Mâcon e produz alguns bons tintos e, principalmente, brancos da Bourgogne. São vinhos com pretensões mais humildes do que os grandes da Côte d’Or, obviamente, mas também podem ser ótimos achados, de excelente relação qualidade/preço e bastante personalidade. Entre os brancos, os mais reputados são St-Véran, Mâcon-Villages, Mâcon-Supérieur e o famoso Poully-Fuissé.
BEAUJOLAIS
Ao sul da Bourgogne, Beuajolais produz alguns tintos bastante saborosos, de leveza e frescor, perfeitos para acompanhar frios e salsichão, por exemplo. Os melhores são os das comunas de Moulin à Vent, Fleurie e Saint Amour. Os Beaujolais-Villages são elaborados apenas com uvas de comunas classificadas como de melhor qualidade, e costumam ser melhores do que os apenas classificados como “Beaujolais”. Alguns produtores, como Joseph Drouhin e Gerard Gelin (Domaine des Nugues) fazem Beaujolais de ótima qualidade, que nada têm a ver com os piores e mais comerciais exemplares da denominação, que costumavam chegar ao Brasil, principalmente como “Beaujolais Nouveau”.
Mesmo os “Beaujolais Nouveau” podem ser bastante bons e agradáveis, quando elaborados por um bom produtor. Os Beaujolais em geral são vinhos com um estilo alegre e descompromissado, que podem agradar bastante e continuam a ser um dos mais consumidos e apreciados na França para ocasiões informais ou acompanhando petiscos diversos. São tintos bastante gostosos, que não merecem o preconceito criado no Brasil pelos piores Beaujolais Nouveau que aqui chegavam tempos atrás.
Bons goles!
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Friday, February 01, 2008

Vale dos Vinhedos - Rio Grande do Sul, Brasil

O Vale dos Vinhedos está situado na Serra Gaúcha e compreende os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. Das 24 empresas que formam a Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos - APROVALE, 18 produzem vinhos finos. Essas vinícolas produzem, em média, 10,5 milhões de quilos de uvas viníferas por ano. O Vale dos Vinhedos foi a primeira região vinícola brasileira com Indicação de Procedência (IP).
A Indicação de Procedência “Vale dos Vinhedos”
Em outubro de 2002 comemorou-se a oficialização pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) da primeira Indicação de Procedência (IP) para vinhos brasileiros. O pedido de reconhecimento geográfico, encaminhado ao INPI em 1997, foi aprovado em 2002, e finalmente, no inicio de 2007, reconhecido pela União Européia, para vinhos provenientes da região de 81 quilômetros quadrados situada entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, no Estado do Rio Grande do Sul.
Foi o Gran Duque Cosimo III, da mítica família Médici de Firenze, o responsável pelo ato que marcou a primeira delimitação geográfica de uma área vinícola. A região do Chianti, na Toscana - Itália, teve assim seus limites fixados em 1716. Uma outra região reivindica o título de primeira a ser demarcada. Os vinhedos húngaros de Tokaji teriam sido delimitados em 1700 ou em 1737, segundo diferentes fontes, o que gera polêmica. Foi, contudo, apenas em 1756 que, além de demarcada, uma região foi regulamentada. O Marquês de Pombal - ao criar a Companhia Geral de Agricultura do Alto Douro, além de delimitar as fronteiras do vinho do Porto, estabeleceu regras para sua produção. A França, o mais importante produtor mundial, viria a ter sua primeira classificação apenas em 1855. Estabelecida pelos produtores do Médoc, sub-região de Bordeaux, a famosa hierarquia dos Grand Crus Classés é até hoje referência de qualidade e, sobretudo, preço.
A Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos - APROVALE
foi criada em 1995 por cinco vinícolas pioneiras (Casa Valduga, Cordelier, Dom Cândido, Dom Laurindo e Miolo) e hoje já conta com cerca de 35 vinícolas afiliadas ( http://www.valedosvinhedos.com.br/ ).
Para entender o significado desta “certificação” é preciso antes analisar o que é uma Indicação de Procedência. Quando se trata deste nobre fermentado, a origem e qualidade da matéria-prima (uvas) são fundamentais. O objetivo deste tipo de legislação é estabelecer uma série de normas que garantam o nível de qualidade e a tipicidade dos produtos, orientando os consumidores.
Os critérios normalmente dizem respeito à delimitação geográfica dos vinhedos, os tipos de uvas autorizadas, grau alcoólico mínimo, grau máximo de chaptalização (adição de açúcar ao suco das uvas para aumento do grau alcoólico), rendimento dos vinhedos (quantidade de uvas obtidas por hectare - quanto menos melhor), método de plantio, de elaboração, período mínimo de amadurecimento em madeira e de envelhecimento em garrafa, denominações e tipologias constantes dos rótulos e, finalmente, aprovação através de análise química e degustação por entidades reguladoras.
No que diz respeito a estes regulamentos, a IP “Vale dos Vinhedos” ou “IPVV” é ainda bastante modesta, exigindo, por exemplo, que apenas 85% das uvas venham da região delimitada. Além disso, o rendimento autorizado é alto (150 hectolitros por hectare) e bastam 60% de um tipo de uva para que esta venha identificada no rótulo, ou seja, 40% das uvas podem ser de um tipo que não aparece no rótulo. O critério mais sensível do regulamento é, contudo, o que permite que o método de plantio seja a “latada”, um tipo de caramanchão, que produz muito mais uvas, mas de qualidade inferior, pois estas ficam sob as sombras das folhas, sendo menos expostas ao sol. O ideal seria a “espaldeira”, método tradicional praticado na Europa, aonde a vinha é baixa e recebe bastante sol. O fato evidencia talvez o maior problema deste setor: cerca de 80% do nosso vinho fino provém de vinhedos em “latada”. A conversão de parreirais é, entretanto, cara (pode custar entre R$ 55 / R$ 65 mil por hectare), demorada (a vinha leva três anos para produzir a primeira safra) e, principalmente, esbarra na mudança de mentalidade de colonos que plantam assim por gerações.
Na prática, o verdadeiro controle de qualidade previsto pelo regulamento da IP é a aprovação final dos vinhos por meio de análises químicas e degustações às cegas. Estas são realizadas por uma banca composta por representantes da Aprovale, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), da Universidade de Caxias do Sul e da SBAV (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) seção de Caxias do Sul.
Muitos dos vinhos submetidos a avaliação não recebem a “certificação”, o que demonstra o rigor da prova.
Mesmo com estas deficiências esta IP é positiva? Sim, e muito! O que temos a comemorar não é a regulamentação em si, pois os melhores produtores da região já praticam padrões de qualidade até superiores aos exigidos, mas a congregação de antigos concorrentes, sob uma mesma bandeira, e a burocracia e inércia vencidas são o primeiro passo na direção de uma verdadeira denominação de origem controlada (DOC). Esta IP também facilita a exportação de nossos produtos. Ter um selo de procedência aprovado pela União Européia dá livre acesso de nossos produtos a todos aqueles países.
Este tipo de controle ajuda, mas a qualidade de um vinho se julga mesmo é na taça. Aí a evolução que o vinho brasileiro teve nos últimos anos é incontestável!
Vale dos Vinhedos - Vinícolas de destaque

ADEGA CAVALLERI - Vinhos Finos
Tel. + (54) 3459-1001 www.cavalleri.com.br
Radicada no Vale dos Vinhedos desde 1875 a Família Cavalleri trouxe da Itália a herança européia na elaboração dos vinhos. Produz atualmente 200 mil litros de vinho. As castas estão distribuídas numa área de 30 hectares. Seu Espumante Moscatel (elaborado com a casta Moscato Giallo), é o melhor do país na categoria!
Tintos: Cavalleri Cabernet Sauvignon, Cavalleri Carménère, Cavalleri Merlot. Brancos: Cavalleri Chardonnay. Espumantes: Cavalleri Brut, Cavalleri Moscatel, Cavalleri Moscatel Rosé.
ANGHEBEN
Tel. + (54) 3459-1261 www.angheben.com.br
Na Itália, Angheben era um vilarejo na Provincia de Trento. No Brasil, é uma vinícola fundada em 1999. As uvas dos vinhos elaborados são provenientes da Serra Gaúcha e da Serra do Sudeste do Rio Grande do Sul. A safra de 2003 foi produzida a partir do vinhedo em espaldeira, localizado no município de Encruzilhada do Sul. Tintos: Terodelgo, Touriga Nacional, Barbera e Cabernet Sauvignon. Espumantes: Brut.

CASA VALDUGA
Tel. + (54) 3453-3122 www.casavalduga.com.br
A saga da família Valduga no Brasil começou em 1875, quando as primeiras videiras foram plantadas. Constituída em 1973, a Casa Valduga vem mantendo a tradição por quatro gerações. Os parreirais próprios da Vinícola no Vale dos Vinhedos e Encruzilhada do Sul produzem uvas de castas finas com mudas importadas e certificadas. A vinícola também oferece aos visitantes hospedagens e refeições em instalações dignas de um grande hotel. Os destaques são os espumantes elaborados pelo método Champenoise, como o excelente “Valduga 130 anos Brut Champenoise”. Tintos: Gran Reserva Cabernet Sauvignon, Premium Merlot, Naturelle, Arte Casa Valduga Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, Duetto Pinot Noir e Shiraz.
Rosés: Duetto Sangiovese e Barbera. Espumantes: Valduga 130 anos Brut Champenoise, Premium Moscatel, Premium Brut.
CAVE DE PEDRA
Tel. + (54) 3459-1263 www.cavedepedra.com.br
A vinícola elabora vinho em estilo artesanal, a produção é reduzida e o processo é realizado da maneira mais natural possível. A arquitetura da sede é similar a um castelo medieval. Foi fundada em 1997.
Tintos: Gran Reserva Ancelota/Tannat, Cabernet Sauvignon Reserva. Espumantes: Asti Moscatel Brut
CHANDON
Tel. + (54) 3462-2499 www.chandon.com.br
Amparada pela empresa francesa Maison Moêt & Chandon, a vinícola está a mais de 30 anos no Brasil. A produção é voltada para elaboração de espumantes com alto padrão de qualidade: Uvas com características excepcionais, instalações e equipamentos de alta tecnologia. Seu enólogo Phillipe Mével é o maior especialista do Brasil na elaboração de espumantes pelo método Charmat, e o Chandon Excellence Brut Reserve é um dos melhores vinhos brasileiros... Premiadíssimo aqui e lá fora!
Espumantes: Excellence Brut Reserve, Brut, Brut Rosé, Demi-Sec e Passion.
CORDELIER
Tel. + (54) 2102-2333 www.cordelier.com.br
A família Ziero elabora vinhos desde o século XVIII na Itália. Nos idos de 1886, Eugênio Ziero desembarcou no sul do Brasil com mudas de videiras da família. Quase um século depois, o representante da sexta geração da família, Lídio Ziero fundou a Vinícola Cordelier, em Bento Gonçalves. Em homenagem a religiosidade da família, batizou a adega de Cordelier - corda de nós que os religiosos da Ordem de São Francisco de Assis usavam. Em 1997, adquiriu a marca Granja União.
Tintos: Cordelier Reserva Merlot, Cordelier Reserva Cabernet Sauvignon, Cordelier Merlot, Granja União Cabernet Seco, Granja União Merlot, Granja União Seleção.
Brancos: Reserva Chardonnay, Granja União Seleção, Granja União Riesling, Granja União Malvasia Suave.
DOM CÂNDIDO
Tel. + (54) 3453-3620 www.domcandido.com.br
Cândido Valduga levou adiante a tradição da família e estabeleceu-se em 12 hectares para produzir vinhos artesanais. Entre piletas, tanques de aço inox e pipas de madeiras nobres, a Dom Cândido vinifica cerca de 45.000 caixas de vinhos.
Tintos: Gran Reserva Cabernet Sauvignon, Marselan, Reserva Merlot, Merlot/Cabernet Sauvignon, Reserva Tannat, Reserva Cabernet Sauvignon, Gamay. Espumantes: Brut, Demi-Sec e Moscatel.

DON LAURINDO
Tel. + (54) 3459-1600 www.donlaurindo.com.br
Em 1887, desembarcava em Bento Gonçalves o italiano Marcelino Brandelli. Vindo de Zévio, povoado de Verona, Marcelino começou produzindo vinho para consumo da família. Passou para seus filhos os ensinamentos da bebida de Baco e da terra. Em 1946, seu filho Cezar Brandelli expandiu os negócios e adquiriu terras para produção de uvas e vinhos, no que mais tarde, veio se concretizar com a fundação da Vinícola Don Laurindo. O seu “Reserva Tannat” é o maior expoente desta casta em terras brasileiras. Tintos: Reserva Malbec, Reserva Tannat.
GEORGES AUBERT
Tel. + (54) 2462-1155 www.georgesaubert.com.br
Com a 2a. Guerra Mundial, diversas vinícolas e vinhedos foram devastados na Europa. A solução encontrada por Georges Aubert foi transferir as operações da vinícola para o Brasil. Estabeleceu-se em Garibaldi em 1951 e especializou-se na produção de espumantes. Produz atualmente 1,8 milhões de litros por ano. Espumantes: Extra Brut, Brut, Reserva Prosecco e Moscatel.
LÍDIO CARRARO
Tel. + (54) 3459-1222 www.lidiocarraro.com
Esta pequena e jovem “vinícola boutique”, elabora ótimos tintos, elegantes e estilosos. Em 2002, elaborou seus primeiros vinhos. O destaque é o Merlot da linha Grande Vindima.
Tintos: Reserva da Serra Cabernet Sauvignon, Reserva da Serra Merlot, Reserva da Serra Merlot/Cabernet Sauvignon, Cabernet Sauvignon Grande Vindima, Merlot Grande Vindima, Quorum Grande Vindima, Singular Tempranillo, Elos Cabernet Sauvignon/Malbec.
Espumantes: Reserva da Serra Brut, Reserva da Serra Moscatel.
MARCO LUIGI
Tel. + (54) 3453-2695 www.marcoluigi.com.br
Produção em torno de 80 mil litros, de uvas cultivadas pela família. Os destaques são os espumantes elaborados pelo método Champenoise.
Tintos: Varietal Cabernet Sauvignon, Conceito Tempranillo, Conceito Merlot, Tributo Cabernet Sauvignon, Merlot. Brancos: Chardonnay. Espumantes: Brut, Brut Reserva da Família e Moscatel.
MIOLO WINE GROUP
Tel. + (54) 2102-1500 www.miolo.com.br
Uma das maiores e mais dinâmica empresas brasileiras do setor. A muda de videira que Giusepe Miolo plantou em 1897, no lote 43, em Bento Gonçalves, prosperou. Hoje a Miolo desponta na produção de vinhos no Brasil: do Vale do São Francisco, no nordeste à Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. Até 2012 a empresa pretende ter 1000 hectares de vinhedos e produção de 12 milhões de litros de vinhos finos por ano. Desde 2003, conta com a consultoria do mais famoso enólogo do mundo - Michel Rolland. Desde há poucos anos atrás firmou uma parceria com a OSBORNE, famosa vinícola da região de Rioja - Espanha.
Tintos: Lote 43, RAR, Reserva Cabernet Sauvignon, Reserva Merlot, Reserva Pinot Noir, Merlot Terroir, Seleção Tinto, Cuvée Giuseppe.
Brancos: Reserva Chardonnay, Seleção Branco.
Espumantes: Brut Millésime, Brut Méthode Traditonelle, Brut Rosé.
Especiais: Seleção Rosé e Gamay.
PETERLONGO
Tel. + (54) 3462-1355 www.peterlongo.com.br
Fundada em 1915, a vinícola é pioneira na elaboração de espumantes no Brasil. O seu “Champagne” Peterlongo era usado em solenidades oficiais e batismos de navios e aviões. No ano 2002 a empresa passou para uma nova fase, tendo como novo proprietário o grupo Holding Ouropar. Tintos: Dom Armando, Varietal Peterlongo Cabernet Sauvignon, Casa Peterlongo Cabernet Sauvignon/Merlot e Tannat. Brancos: Casa Peterlongo Riesling Itálico e Semillon. Espumantes: Moscatel, Prosecco, Brut Champenoise, Fino Demi-Sec, Fino Brut.
PIZZATO
Tel. + (54) 3459-1155 www.pizzatovinhasvinhos.com.br
Criada em 1998, a vinícola Pizzato se dedica à elaboração de vinhos tintos finos. A vinícola destacou-se no cenário nacional com seu varietal Merlot Reserva, um dos melhores vinhos brasileiros desta casta. Seus vinhos destacam-se por boa relação custo/benefício. Tintos: Cabernet Sauvignon Reserva, Fausto Merlot, Fasuto Cabernet Sauvignon, Tannat Reserva, Merlot Reserva, Concentus, Egiodola. Brancos: Chardonnay. Espumantes: Brut.
SALTON
Tel. + (54) 2105-1000 www.salton.com.br
Uma das maiores e mais antiga vinícolas brasileiras, fundada em 1910. Hoje a Salton possui dois vinhedos modelos: Tuiuty e Santa Lúcia, com 70 hectares no total. Em 1948 expandiu as fronteiras do Rio Grande do Sul e tem uma filial em São Paulo. Lá é produzido o Conhaque Presidente. Conta com a consultoria do enólogo argentino Angel Mendoza. O Desejo Merlot e o Talento são dois dos melhores vinhos brasileiros. Tintos: Desejo Merlot, Talento, Reserva Especial Classic/Cabernet Sauvignon, Reserva Especial Classic/Merlot, Reserva Especial Classic/Tannat, Volpi Merlot, Volpi Cabernet Sauvignon.
Brancos: Volpi Chardonnay, Volpi Sauvignon Blanc, Reserva Especial Classic/Chardonnay, Reserva Especial Classic/Riesling.
Espumantes: Brut Charmat, Brut Reserva Ouro Charmat, Demi-Sec Charmat, Moscatel Charmat, Prosecco Brut Charmat, Volpi Natural Brut, Rosé Natural Brut Poética.
VALLONTANO
Tel. + (54) 3452-6595 www.vallontano.com.br
A tradição remanescente do século XIX está na produção de aproximadamente 50 mil garrafas de vinhos finos e espumantes ao ano. A matéria-prima vem dos 07 hectares de vinhedos próprios, onde são cultivadas as uvas Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, entre outras variedades de castas nobres. Val Lontano, vem do italiano e quer dizer Vale Distante. O destaque é o Espumante Brut.
Tintos: Reserva Cabernet Sauvignon, Tannat. Brancos: Chardonnay. Espumantes: Brut Moscatel.

Lembro que as vinícolas aqui citadas são apenas aquelas sediadas dentro da área do Vale dos Vinhedos. Não foram mencionadas as demais localizadas fora do Vale - ainda que na região da Serra Gaúcha - a exemplo de Flores da Cunha, Nova Pádua, Pinto Bandeira, Cotiporã, Caxias do Sul, Campanha, Serras do Sudeste etc.
Finalmente, vale observar que o Rio Grande do Sul é o Estado líder na produção de vinhos no Brasil. As 450 vinícolas da região são responsáveis por 75% dos rótulos brasileiros. Cerca de 60% das castas européias colhidas são brancas, e a produção de uva é superior a 400 milhões de quilos/ano.
Bons goles!
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Sunday, January 13, 2008

Portugal - Conhecendo Lisboa e arredores!


Em Lisboa, se você ainda não conhece muito a cidade, comece a visita pela beira mar, na região onde está o Monumento ao Descobrimento, a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos e, claro, a fábrica dos famosos e deliciosos ‘Pastéis de Belém’, tudo ali, um bem pertinho do outro. Visite também o Castelo de São Jorge - construção do século XII, o mais velho monumento da capital portuguesa. O Castelo, pairando sobre o pitoresco bairro da Alfama, oferece a mais didática das vistas de Lisboa. Ali, debruçado sobre o muro do terraço, é possível entender a geografia e a história de Lisboa numa só aula. Primeiro olhe para trás, em direção ao próprio castelo: na verdade, você está vendo as muralhas de uma fortaleza do tempo da ocupação moura. Sim, porque Lisboa só foi reconquistada pelos portugueses em 1.147, depois de 300 anos sob domínio muçulmano. Isso explica as ruelas tortuosas, as escadarias e os labirintos que você teve de subir até aqui, no alto do castelo - o traçado caótico da Alfama é o mais importante legado mourisco à cidade.
Agora, volte-se novamente para a vista a sua frente... Seu olhar será rapidamente guindado à esquerda, onde fica o Tejo. Mais do que um simples rio, o Tejo é a avenida que liga Lisboa ao Oceano - e, conseqüentemente, ao período mais glorioso de Portugal. A foz é bem mais adiante, fora do seu campo de visão, depois do Bairro de Belém, onde termina a cidade e começa a orla do Estoril e de Cascais. Você não percebe, mas, entre o centro da cidade e Belém, há uma série de armazéns à beira-rio que foram transformados em discotecas, formando a porção mais ‘mauricinha’ da Lisboa de hoje. Vê aquela ponte monumental? Pois praticamente embaixo dela fica a Doca de Santo Amaro, um ‘deck’ repleto de bares e restaurantes, que também é uma das principais atrações dessa Lisboa ‘moderna’ e agitada. Sempre olhando para o centro, você vê o Róssio, que é o coração de Lisboa. Entre o Róssio e a grande praça à beira-rio (a Praça do Comércio), fica a “Baixa”, o centro comercial de Lisboa, com seus quarteirões perfeitamente simétricos. Atrás da ‘Baixa’ fica o Chiado, onde está o comércio chique do centro.
Depois, na continuação do Chiado, vê-se a colina do Bairro Alto, reduto intelectual, boêmio e moderninho, onde a Lisboa dos fados se mistura com a Lisboa de todas as músicas. Enfim, suba lá e veja se não é realmente interessante observar isso tudo e muito mais que você certamente verá.
Ainda em Lisboa, não deixe de conhecer dois restaurantes que, para mim, são os mais sensacionais que existe em toda a capital portuguesa: O primeiro, para comer bem (jantar) e degustar ótimos vinhos portugueses, ouvindo fados (ao vivo!) que irá transporta-los para onde desejar seus pensamentos, é o ‘Sr. Vinho’. Fica na Rua do Meio - Lapa. Faça reserva antes de ir. O segundo é o ‘Parreirinha do Alfama’, um lugarzinho super pequeno e aconchegante, onde também se come muito bem ao som de fados inesquecíveis! Entretanto, para quem gosta de Cerveja, vá durante o dia na ‘Cervejaria Trindade’, a mais antiga e belíssima cervejaria de Portugal! Fica na Rua Nova da Trindade, nº 20C. Existe desde 1836, ocupando o lugar onde era o Refeitório do Convento dos Frades Trinos, cuja primeira fase de construção data de 1.283. Super, não? Ah! Se você quiser comer leitão assado, vá a Almada. É um vilarejo bem perto e lá está o que existe de melhor!
Sintra - Viajar aos arredores de Lisboa é mais fácil do que cruzar uma grande cidade brasileira... Tanto a serra (Queluz e Sintra) quanto à orla (Estoril e Cascais) estão a poucos minutos de automóvel ou de trem de Lisboa. Comece por Sintra - Uma estância medieval, com clima de montanha. Está situada a 28 kms de Lisboa, 15 de Cascais, 13 de Estoril, e 98 de Setúbal. A “vila” é tão antiga quanto Portugal, conquistada pelos Mouros em 1.147, pelo primeiro Rei de Portugal - Dom Afonso Henriques. É o refúgio serrano dos lisboetas.
O centro da ‘Vila’, bem charmoso, conserva o Palácio Nacional. Tão monumental quanto o Palácio da Pena, no alto de uma montanha. Não deixe de conhecer o “Palácio da Pena”, residência de inverno dos antigos reis de Portugal, e também o “Hotel Palácio dos Seteais”, para tomar um “Porto” ou mesmo um “Chá” no seu jardim.

Saindo de Sintra, com destino a Cascais, não use a auto-estrada (N9). Prefira a estradinha N247, que passa por Colares e descortina uma paisagem muito mais agradável. Por ela, antes de chegar a Cascais, você pode ir até o ‘Cabo da Roca’, o ponto mais ocidental do continente Europeu, antes de almoçar lautamente num dos bons restaurantes da ‘Praia do Guincho’. Eu indico, sem pestanejar, o ‘Faroleiro’. Peça arroz com mariscos, você não vai se arrepender! Ou o Mestre Zé, igualmente muito bom!
Cascais é um balneário super badalado, cheio de gente bonita e interessante. É lá que o nosso saudoso Ayrton Sena realmente ‘curtia e descansava’ quando estava na Europa, em casa de um grande amigo português que ainda hoje vive no lugar. Depois, vá ao centro, tomar um drink no ‘John Bull Bar’ e diga que eu recomendei, tá?
De Cascais, dê um pulinho até Estoril. Também vale a pena e é bem pertinho. Além do circuito de F-1 (Autódromo Fernanda Pires da Silva), a cidade é uma graça, com seus casinos e praias urbanizadas! Se ainda restar tempo, vá também até Queluz e visite o Palácio ali existente, onde morou D. Pedro IV, o nosso D.Pedro I.
Lisboa e arredores têm ótimos hotéis, de todos os estilos que você preferir e puder pagar, mas eu indico um onde sempre fico quando estou lá: muito bom, bem confortável e preço justíssimo:
Hotel IBIS (Liberdade)
Rua Barata Salgueiro, 53 - Liberdade.
1250-043 Lisboa - Portugal
Tel. + (351) (21) 330-0630 - Fax: + (351) (21) 330-0631.
Localização: Bem perto da Praça Marquês de Pombal e do Hotel Sofitel ali existente, com fácil acesso para qualquer destino, a pé ou de táxi.

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Tuesday, January 01, 2008

O Vinho Branco de todas as estações do ano!

O vinho branco já foi rei um dia, sendo o mais consumido do mundo. Por muitos anos e por diversos motivos, seu consumo foi caindo. Um deles foi à ascensão do vinho tinto e a descoberta de seus benefícios terapêuticos ao sistema cardiovascular. O vinho que “faz bem ao coração” acabou sendo um dos responsáveis pela migração de fiéis consumidores de brancos para fiéis e regulares consumidores de tintos. É fato que o vinho tinto, em comparação ao branco, tem proporcionalmente muito mais substâncias que fazem bem ao sistema cardiovascular, já que os polifenóis e poliflavonóides são mais abundantes na casca das uvas tintas. Mas os dois, tintos e brancos, têm espaço nas melhores mesas ao redor do mundo.
Felizmente, o consumidor tem redescoberto o vinho branco e, principalmente, tem se dedicado mais à cultura da enogastronomia. E o que é enogastronomia? É a arte de harmonizar a gastronomia com o vinho. Por isso, a ausência do vinho branco na mesa é um completo desastre. Ele é versátil e acompanha pratos maravilhosos que o vinho tinto não seria capaz de compartilhar. Além disso, existem vinhos brancos potentes e profundos como os tintos.
No Brasil, por exemplo, já temos bons vinhos brancos, especialmente os Espumantes produzidos na região da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. Assim como o Brasil, a Argentina e o Chile também produzem excelentes vinhos brancos com as uvas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, entre outras. Outro bom exemplo de vinhos brancos do “Novo Mundo” é os Estados Unidos. Eles se especializaram em fazer da uva Chardonnay uma marca... O Chardonnay amadeirado virou febre no país e por lá existe até o jargão “give me a glass of chard”.
A matéria, entretanto, é sobre os vinhos brancos da Alemanha... Lar da uva Riesling, considerada por muitos especialistas a mais nobre das cepas brancas, a Alemanha é uma das grandes regiões vinícolas do mundo, com vasta gama de estilos de vinho, do raro, doce e sensacional Trockenbeerenauslese (TBA) ao adstringente Kabinett. A maioria é consumida localmente, já que poucas vinícolas se destacam fora do país.
Um pouco de história: Os romanos levaram a viticultura organizada a essa região no norte da Europa e, no início da Idade Média, a Igreja adquiriu e desenvolveu vinhedos enormes. Diz a lenda que no século VIII o imperador Carlos Magno, posicionado na margem oposta a Rheingau, observou onde a neve derretia primeiro e ordenou que as vinhas ali fossem plantadas.
No fim da Idade Média havia muitas propriedades aristocráticas em Rheingau e mais ao sul, algumas ainda pertencentes às mesmas famílias. Calcula-se que no fim do séc. XVI a área cultivada com vinhas seria 03 vezes maior do que a atual, devido a conflitos que devastaram grandes regiões (como a Guerra dos Trinta Anos, 1618/48) e substituições por outros plantios em tempos difíceis.
Mas a atividade vinícola se recuperou, e ao fim do séc. XIX os melhores vinhos de Rheingau alcançaram preços tão altos quanto os premiers crus de Bordeaux, França. A qualidade, porém, despencou nos anos 60 e 70 com a preferência por safras volumosas, e só na última década as melhores vinícolas buscaram consistentemente recuperar a reputação do vinho alemão.
A atividade vinícola hoje: A Alemanha não é um grande participante no mercado internacional, com apenas 100.000ha em produção, 09 vezes menos do que a França ou a Itália. A imagem do vinho alemão ficou prejudicada devido à grande quantidade de branco adocicado medíocre exportado nas últimas décadas. Por isso muitos consumidores associam “vinho alemão” à pior qualidade que o país oferece. Esse problema foi exacerbado pela estrutura da indústria, baseada em propriedades muito pequenas e em grandes cooperativas; as primeiras - várias de padrão mundial - produzem pouca quantidade, e as segundas raramente estão centradas na qualidade e não colaboram para melhorar a imagem dos vinhos no exterior.
As leis vinícolas e as normas arcaicas de rotulação também atrapalham a vida do consumidor. Milhares de vinhedos têm o direito de se identificar no rótulo e, além das cepas conhecidas, há várias cruzas. Entretanto, se a variedade de uvas e estilos dificulta o marketing, poucos países oferecem tamanha diversidade.
Cepas e Estilos de Vinhos: A Riesling é a principal cepa do sudoeste da Alemanha, em especial nas regiões dos rios Mosel e Reno. O longo período de desenvolvimento e a alta incidência de botrítis (a podridão nobre - fungo “Botritis Cinerea”) fazem com que esses vinhedos produzam alguns dos vinhos doces mais sensacionais do mundo, a exemplo dos grandes “Sauternes” da França e dos “Tokaji Aszú” da Hungria. Os melhores são Rieslings engarrafados na vinícola, que variam do muito seco e metálico ao doce e adstringente, em geral com qualidade superior ao preço.
Detalhe para quem for visitar a região: A vista da área vinícola de Mosel-Saar-Ruwer, de qualquer colina de vinhedos (que são plantados nas encostas íngremes das margens do rio), é simplesmente encantadora!
No sul, sobretudo em Baden, as Pinot reinam supremas... As Weissburgunder (Pinot Blanc) são encontradas em todas as áreas vinícolas do país, e a Spatburgunder (Pinot Noir) nas regiões mais ao norte, como Ahr, com resultados cada vez melhores. A Silvaner (outra variedade) não é muito apreciada, mas em Franken atinge ótimo nível.
Os vinhos muitos secos são produzidos com facilidade no sul, como em Pfalz e Baden. Contudo, o clima frio mais ao norte pode torná-los austeros demais para o gosto da maioria devido à alta acidez natural das uvas; por isso muitas vezes são equilibrados com açúcar residual - que os torna frutados e refrescantes.
O barril de carvalho participa na vinificação em tinto, mas em geral os brancos não são amadeirados e podem refletir o solo e as condições microclimáticas de que se originam muito melhor do que os suavizados no caro carvalho francês, destacando seu sabor puro e, com freqüência, vigor mineral.
Classificação Vinícola Alemã
Os vinhos alemães são classificados segundo o amadurecimento das uvas na vindima (colheita), obedecendo ao seguinte critério:
> Qualitatswein mit Pradikat (QmP): Literalmente “vinho de qualidade com características especiais”, é sua classificação mais alta. Para obter esse status as uvas devem atingir um nível de amadurecimento mínimo, entre Kabinett (o mais baixo nível de açúcar) e Trockenbeerenauslese (TBA, o mais alto). Os valores determinados variam para cada região e cepa. A chaptalização (adição de açúcar durante a fermentação para aumentar o nível de álcool) não é permitida nesses vinhos.
> Kabinett: Exceto se rotulado como trocken ou halbtrocken, esse vinho será meio-seco.
> Spatlese: Vinho de colheita tardia, normalmente de estilo médio a meio-doce.
> Auslese: Vinho médio a doce no qual algumas uvas podem ter sido afetadas por botritis (a podridão nobre).
> Beerenauslese (BA): Vinho doce no qual muitas uvas foram afetadas por botritis.
> Eiswein: Vinho intensamente doce elaborado de uvas que congelaram naturalmente na vinha; tendem a ter sabor rico e muito puro.
> Trockenbeerenauslese (TBA): Vinho intensamente doce elaborado apenas de uvas afetadas por botritis. Não confundir com “trocken”, que significa “seco”.
> Qualitatswein bestimmter Anbaugebiet (QbA): Segundo nível de classificação, para vinhos de qualidade elaborados em uma região designada. A chaptalização é permitida.
> Londwein: Equivalente ao “vin de pays” francês, “um vinho do país”, pode proceder de qualquer uma das 17 áreas designadas.
> Deutsche Tafelwein: Categoria para vinhos de mesa elaborados exclusivamente na Alemanha.
Como ler um rótulo de Vinho Alemão: Ao se deparar com um vinho alemão de produtor desconhecido, eis algumas dicas que o(a) ajudarão a desvendar o estilo e a qualidade em potencial:
a) Procure a uva; os melhores são Riesling QmP, geralmente de meio-secos (Kabinett) e extremamente doces (Trokenbeerenauslese), exceto se constar as palavras “troken” ou “halbtroken”. Evite vinhos QbA a menos que confie no produtor!
b) O teor alcoólico ajuda a confirmar o estilo: com menos de 12% (especialmente menos de 10,5%), espere um vinho médio a doce. Conhecer os estilos das principais regiões alemãs também é útil: os vinhos tendem a ficar mais cheios e secos do norte para o sul. O preço é bom indicador. Há verdadeiras bagatelas, mas espere preços mais altos dos melhores produtores.
Glossário do Vinho Alemão:
Bereich:
Distrito dentro de uma das regiões vinícolas aqui citadas. Se estiver no rótulo tenha cautela, pois a qualidade pode ser baixa.
Classic: Vinho razoavelmente seco e elaborado com uma cepa tradicional, como Riesling, Silvaner ou Rivaner. O termo foi introduzido como tentativa de facilitar o rótulo de vinhos alemães.
Einzellage: Vinho de um único vinhedo.
Grosslage: Vinho de um grupo de vinhedos.
Halbtroken: Vinho “meio-seco” ou meio-doce.
Totling: Vinho rosé.
Rotwein: Vinho tinto.
Sekt: Vinho espumante (como é chamado o Espumante alemão).
Selection: relativo ao Classic, denota um vinho premium razoavelmente seco, produzido em quantidades limitadas. Termo ainda não totalmente estabelecido.
Trocken: Vinho seco.
Ursprungslage: Outro termo novo, criado para substituir Grosslage. O vinho deve ser de área designada e também estilo específico, empregando cepas (uvas) registradas.
Weingut: Propriedade vinícola.
Weisswein: Vinho branco.
Os vinhos brancos alemães dos produtores mais respeitados e recomendados:
01. Weingut Emrich-Schonleber Monzinger Fruhlingsplatzchen Riesling Eiswein.
02. Weingut Keller Dalsheimer Hubacker Riesling Auslese.
03. Weingut Muller-Catoir Mussbacher Eselshaut Rieslaner Auslese.
04. Weingut Robert Weil Kiedricher Grafenberg Riesling Auslese.
05. Weingut St Urbans-Hof Ockfener Bockstein Riesling Auslese.
06. Weingut Dr Burklin-Wolf Forster Ungeheuer Riesling Erstes Gewachs.
07. Weingut Franz Kunstler Hochheimer Kirchenstuck Riesling Spatlese.
08. Weingut Freiherr Heyl zu Hermsheim Niersteiner Brudersberg Riesling Trocken.
09. Weingut Hermann Donnhoff Oberhauser Brucke Riesling Spatlese.
10. Weingut Dr Loosen Wehlener Sonnenuhr Riesling Kabinett.
11. Weingut Georg Breuer Rudesheim Estate Riesling Trocken.
12. Weingut Okonomierat Rebholz Chardonnay Spatlese Trocken.
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